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Toyota Hilux vale a pena se for com motor flex?

Testamos a Toyota Hilux SRV com motor 2.7 Flex e câmbio automático, e chegamos a seguinte conclusão: compre a diesel!

8.6

Overview

Consumo elevado de combustível deixa a Toyota Hilux SRV pouco atraente, apesar de espaço, acabamento e itens de série atenderem as expectativas.


  • + Acabamento interno
  • + Espaço interno
  • + Equipamentos de segurança
  • - Conjunto mecânico
  • - Consumo de combustível
  • - Central multimídia
 
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Há alguns anos, Picape média é a mesma coisa que SUV com caçamba. Veículos que tem uma capacidade de transporte de carga superior, mas que entregam também um conforto para motorista e passageiros de fazer inveja a muitos automóveis de passeio. E neste segmento, quem se destaca por ser ‘best-seller’ e estar sempre na ponta da linga de qualquer fazendeiro, é a Toyota Hilux, que avaliamos na versão topo de linha SRV, com motor Flex, transmissão automática e tração 4x4 – preço parte de R$ 140.990.

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De cara, vou engatilhar minha metralhadora de críticas. Não à Hilux especificamente, mas a todas as Picapes com motor bicombustível. Não consigo enxergar sinergia entre estes propulsores e este tipo de veículo. Além de não conseguir entregar um desempenho que salte aos olhos – e aqui estou falando não apenas de performance voltada para o trabalho, mas para o ‘passeio’ dominical também –, os números de consumo são desesperadores.

No caso da Hilux, o propulsor 2.7 16V de quatro cilindros aspirado entrega 163 cv de potência a 5.000 rpm e torque de 25 kgf.m a elevados 4.000 giros, e está atrelado a uma transmissão automática (conversor de torque) de seis marchas. O conjunto, no dia a dia, entrega uma Picape que parece sempre estar ‘amarrada’, mesmo com a caçamba vazia. A sensação de quem está ao volante é que sempre é preciso dar mais carga no acelerador para que possa mover suas quase duas toneladas – confira a ficha técnica completa no Catálogo 0KM da Webmotors.

E o resultado de ‘meter’ o pé no pedal da direita para ter uma Hilux mais desenvolta, vamos dizer assim, acaba refletindo em um consumo elevado de combustível. De acordo com o INMETRO, a Hilux Flex faz (se segura aí na cadeira) na cidade 4,8 km/l com etanol e 6,9 km/l com gasolina. Na estrada, os números saltam para 5,6 km/l com derivado de cana de açúcar e 8,1 km/h com derivado de petróleo. Estes dados que impressionam negativamente conferem à Toyota nota ‘D’ tanto no geral quanto em seus concorrentes diretos.

Conclusão: se a Picape média não for diesel, na minha opinião, é ‘carta fora do baralho’!

 Acabamento interno tem detalhes em cromado, cinza e black piano
Legenda: Acabamento interno tem detalhes em cromado, cinza e black piano
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

MAIS COMPORTAMENTO...

O rodar da Hilux com carga é mais confortável do que com caçamba vazia. Sua capacidade de carga, apenas para não deixar passar em branco, é de 1.036 litros ou 830 quilos. E o motivo é que totalmente ‘free’, a traseira da Toyota pula como uma ‘cabrita louca’. E essa é uma característica da maioria das Picapes médias, pois a traseira utiliza eixo de torção. Disse ‘maioria’ e não todas, em virtude de a Nissan Frontier, por exemplo, já utilizar sistema multilink que, no final das contas, consegue entregar uma ‘bruta’ muito mais estável quando sem carga.

A Hilux é equipada de série com freios a disco na dianteira (ventilados) e tambor na traseira, sistema ABS (antitravamento das rodas em frenagens de emergência) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem).

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Legenda: Central multimídia não é compatível com Android Auto e Apple CarPlay
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

Quando no 4x2, a tração é traseira. Portanto, quando ‘colamos’ o acelerador no assoalho e despejamos os 25 kgf.m nas rodas de trás, a tendência é que a caçamba queira ‘ultrapassar’ o capô. Por isso os controles de tração e estabilidade também estão presentes para evitar uma escapada subida, principalmente com piso molhado. Importante destacar que a reação da Hilux Flex é muito menos intensa que a diesel, que gera 45,9 kgf.m já a baixos 1.600 giros. Mas, de qualquer maneira, a eletrônica atua como item de segurança.

Com opção de tração nas quatro rodas, a Hilux, mesmo flex, consegue transpor estradinhas mais acidentadas sem dificuldades – só não queira fazer uma expedição em mata fechada, pois a Toyota não é um jipe. E a escolha da tração pode ser feita por um seletor no painel, o que facilita demais para o condutor.

 Silhueta continua a mesma, apesar das novidades estéticas na dianteira
Legenda: Silhueta continua a mesma, apesar das novidades estéticas na dianteira
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

EQUIPADA COMO UM AUTOMÓVEL DE PASSEIO

Quando falo que as Picapes são SUVs de caçamba, a parte SUV está do lado de dentro. No espaço, em alguns casos no acabamento, e também nos itens de série. No caso da Hilux, por exemplo, a versão SRV tem sete airbags de série – duplo frontal, laterais, de cortina e também o de joelhos para o motorista. Aproveitando a carona nos itens de segurança, a Picape fabricada na Argentina oferece ainda ISOFIX para fixação de cadeirinha infantil, controle eletrônico em declive (bom para estradinhas de cascalho solto com a caçamba cheia), cinco de segurança de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes.

Um dos pontos positivos da Hilux é a posição ao volante. Apesar de sempre elevada, o que para uma ‘grandalhona’ como ela é fundamental, o assento do motorista tem ajuste de altura e lombar elétricos, e a coluna de direção regulagens manuais não apenas de altura, mas também de profundidade, algo que nem toda Picape tem. Desta maneira, qualquer motorista consegue ‘vestir’ a Toyota muito bem, assumindo postura muito confortável para viagens de longas distâncias e deslocamentos em pisos mais acidentados de terra batida, por exemplo.

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Legenda: DRL somente na versão topo de linha Hilux
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

Os bancos, assim como o volante multifuncional, são revestidos em couro, o que denota um capricho extra da marca japonesa. As peças de plástico duro estão por todas as partes, assim como alguns itens emborrachados. A montagem transmite sensação muito positiva, pois não há espaço entre as partes. Destaco ainda o bom revestimento acústico, pois, apesar de ser naturalmente mais silencioso que um motor diesel, o ruído do bloco bicombustível invade pouco a cabine, permitindo um diálogo tranquilo entre os ocupantes.

A direção tem assistência hidráulica e é confortável para pequenas manobras. É, no entanto, um pouco anestesiada e não muito direta. O ar-condicionado tem somente uma zona e o ponto positivo é que há saída de ar para quem viaja atrás. Vidros das quatro portas, travas e ajustes dos espelhos retrovisores externos são elétricos. E o painel de instrumentos tem tela de LCD entre o velocímetro e o conta-giros com todas as informações do computador de bordo.

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Legenda: Traseira continua com visual sóbrio
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

A Hilux SRV Flex também é equipada com central multimídia com tela de 7 polegadas, colorida e sensível ao toque. Tem navegação por GPS, mas peca em não ser compatível com os sistemas Androis Auto e Apple CarPlay. Outro ponto que desabona o recurso que tem até TV Digital é o fato de ser lenta em suas reações – não foram raras as vezes que tive que apertar mais de uma vez a tela para que o comando fosse aceito. Para um carro de mais de R$ 140 mil, uma central mais moderna é praticamente obrigação.

O espaço interno também é bom. Pessoas com até 1,80 de altura não enfrentam problemas com a cabeça raspando no teto ou os joelhos roçando no banco dianteiro. O único ‘porém’ fica por conta do assoalho, que não é plano, dificultando a acomodação de quem viaja na posição central, e o fato de o duto central avançar um pouco além da conta para a parte traseira. A inclinação do encosto do banco das pessoas que viajam atrás é ‘ok’, evitando, como em algumas Picapes médias mais antigas, ela posição ereta demais, que com o tempo acaba causando desconforto.

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Legenda: Capacidade de carga é de 1.036 litros ou 830 kg
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

CUSTOS

Um dos pontos positivos da Hilux é o fato de contar com o bom atendimento pós-venda da Toyota. O preço das seis primeiras revisões na versão Flex com tração 4x4, que acontecem a cada 10.000 km rodados ou 12 meses, fica em R$ 5.430,49 – destaque para a revisão de 40.000 km, que sai por R$ 1.611. Apenas como comparação, as revisões até 60.000 km da Chevrolet S10 LTZ Flex 4x4 ficam em R$ 4.696.

Já o custo médio do seguro, cotado para um homem entre 35 e 40 anos, residente na cidade de São Paulo (SP), fica em R$ 10.630, com valor da franquia em R$ 6.515. Não deixe de cotar o seguro da Toyota Hilux SRV Flex 4x4 de acordo com o seu perfil no Autocompara.

 Painel de instrumentos tem tela em LCD para o computador de bordo
Legenda: Painel de instrumentos tem tela em LCD para o computador de bordo
Crédito: Ricardo Rollo/WM1

VALE A COMPRA?

Não! Por mais que a lista de equipamentos de série seja boa, o acabamento interno na medida certa para a proposta e o espaço interno atender às necessidades de quem transporta mais de duas pessoas, a combinação de motor flex com transmissão automática para uma Picape média, definitivamente, não atende às necessidades. Primeiro por não entregar o vigor que uma grandalhona dessas precisa, principalmente para o trabalho pesado. E segundo pelo consumo extremamente elevado. Tente colocar uma Hilux diesel dentro do orçamento. Caso não seja possível, analise as alternativas. Quem sabe, para as suas necessidades, uma Fiat Toro diesel não seja uma opção mais interessante...

Ancora: Conclusão Score

 

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8.6

  • Marcelo Monegato
  • Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas.
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