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Como é andar de Porsche pela primeira vez?

Repórter e funcionários da Webmotors dão rolê em um Porsche Panamera Turbo de R$ 981 mil

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Lukas Kenji
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Você pode ter todos os CDs, colecionar revistas e forrar as paredes do quarto de pôsteres da sua banda favorita. Mas se não for a um show dela, vai sentir um vazio, como se não fosse um fã de verdade.

O mesmo cabe aos automóveis. De que vale preencher a prateleira com miniaturas e visitar o museu da marca número 1 do seu coração, se você nunca tiver a oportunidade de dirigir um carro dela?

Este sentimento afligira este intrépido repórter até o momento em que esta pauta fora aprovada. Porsche, para um moleque da Zona Leste de São Paulo (SP), assim como para a esmagadora maioria dos brasileiros, é algo tão alcançável quanto água no deserto - cabe aqui, aliás, agradecer à confiança de colocar sob minha responsa a guarda de um modelo de R$ 981 mil.

 Panamera é esportivo em forma de carro de passeio
Legenda: Panamera é esportivo em forma de carro de passeio
Crédito: Divulgação

Como forma de retribuição, abdiquei da exclusividade que qualquer modelo da marca impõe naturalmente, e convidei dois parceiros de Webmotors para compartilhar comigo a experiência de andar de Porschão pela primeira vez. Era o mínimo a ser feito tendo em vista de que o alemão em questão é um Panamera Turbo, foguete feito para executivos privilegiados e de bom gosto, claro.

Nem foi preciso entrar na nave de 5,05 metros de comprimento e 1,93 m de largura para o analista de marketing e sósia do MC Gui Guilherme Nahas soltar o primeiro “Meu Deus do céu!” ao ficar encantado com a frente de estilo clássico do cupê de quatro portas contrastante com os modernos faróis Matrix LED.

Já o designer Lucas Barreiro curtiu a tonalidade caramelo do interior do carro e acariciou inúmeras vezes o teto revestido em Alcantara. Por outro lado considerou inúteis as cortinas que escurecem os bancos traseiros. Bem, a verdade é que em um carro de quase R$ 1 milhão, o que não faltam são frufrus.

ESPORTIVO, SIM

Não podemos, no entanto, destacar tais mimos sem antes detalhar o protagonista do Panamera. O motor V8 4.0 biturbo despeja 550 cv sob o longo e clássico capô. A potência máxima é constante entre 5.750 e 6.000 rpm.

Difícil dizer qual número é mais impressionante ao levarmos em conta o torque máximo de 78,5 kgf.m, que vigora a partir dos 1.960 giros e mantém-se plano até 4.500 rpm. Note como é elástica a faixa de rotação em que o motor funciona a todo vapor.

Porsche Panamera Turbo
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Legenda: Motor 4.0 V8 biturbo
Crédito: Divulgação

A gerência do propulsor de injeção direta de combustível fica a cargo da transmissão PDK de oito velocidades. Ela é automatizada de dupla embreagem. É incrível como ela entende rápido qual tocada quero dar ao monstrão de quase duas toneladas (1.995 kg). O corpanzil robusto parece pena diante do conjunto mecânico que o empurra da inércia aos 100 km/ em 3,8 segundos. O carro é ainda mais ligeiro, quando equipado com o Pacote Chrono, ao cumprir a mesma tarefa em 3,6 s.

O pacote da alegria traz esta magia extra por oferecer controle de largada, além de acesso rápido aos quatro modos de condução por meio do tradicional botão giratório presente no volante multifuncional. Das opções Normal, Individual, Sport e Sport Plus, a última é a mais inescrupulosa. Determina um regime de 3.000 a 6.000 rpm para o câmbio que retarda os escalonamentos para que o condutor e seus convidados não queiram parar de sentir frio na barriga.

Uma pena que o trânsito corriqueiro de Sampa tenha impossibilitado mostrar aos nossos personagens mesmo que um pouco do fôlego do propulsor que, embora seja veoitão, também preocupa-se com a economia de combustível. Ele tem sistema de desligamento de cilindros subutilizados, o que promete reduzir o consumo em até 30%. É possível colocar até quatro cilindros para descansar ao mesmo tempo.

Sinais dos tempos. Quem diria alguns anos atrás que um esportivo iria preocupar-se com a eficiência energética? Segundo dados do Inmentro, o Panamera Turbo tem desempenho de 6,5 km/l na cidade, e 9,6 km/l na estrada.

Apenas para deixar claro, não me enganei ao referir-me ao Panamera como um esportivo. Não estamos falando de apenas um cupê de quatro portas feito para chofer levar patrão – quem faz isso não deve gostar muito de carro. Aqui tratamos de um esportivo em forma de carro de passeio. Gruda as costas dos ocupantes no banco a cada tijolada com o pé no pedal direito, tem centro de gravidade baixinho, bancos frontais do tipo concha e apetite por curvas.

Embora não tenha a estima e virtudes de um 911, o Panamera foi suficiente para me mostrar que a experiência de guiar um Porsche é ímpar. Há algo especial que não existe em outras marcas. É sublime conseguir ficar encaixado certinho no banco, a empunhadura precisa do volante, o cheiro de tantos materiais primorosos de acabamento e o comportamento de um veículo de passeio feito para a pista. Não é preciso vinco, músculo e elementos agressivos de design para um Porsche ser chamativo. A marca é única não pelo que mostra, mas pelo que transmite.

Evidentemente, o Panamera não foi idealizado para moer pistas em track days, muito por conta de suas dimensões fartas - o porta-malas, por exemplo, tem fartos 495 litros. Mas um automóvel que pode acelerar até 306 km/h deve ser respeitado. Outro ponto a corroborar com este ponto de vista é a própria origem da Porsche. Quando Ferry Porsche começou a conceber os primeiros modelos para a montadora de seu pai, Ferdinand, tinha em mente o objetivo de criar o carro esportivo dos sonhos, algo que tornou-se um DNA da marca de Sttutgart (Alemanha).

 Interior tem teto revestido em Alcantara
Legenda: Interior tem teto revestido em Alcantara
Crédito: Divulgação

CARRÃO HI-TECH

Não à toa, o legado de 70 anos da fabricante possibilitou o emprego de novas tecnologias que tornaram seus produtos seguros e confortáveis, mas sem perder a mão da velocidade. Um bom exemplo é o sistema de suspensão pneumática que interfere na altura da carroceria. Para não raspar em valetas ou saídas de estacionamentos, é possível acionar no console um botão que deixa o Panamera mais altinho.

Também é possível acionar o aerofólio caso você esteja em velocidade alta e procure mais estabilidade. Já, nas curvas, é importante notar que as rodas traseiras também podem esterçar e transmitir ainda mais segurança aos ocupantes.

Outras tecnologias de destaque são sistema de estacionamento autônomo, piloto automático adaptativo (ACC), assistente de visão noturna, assistente de mudança de faixa, que avisa quando o motorista está invadindo outra faixa sem dar seta, mas não traz o volante de volta automaticamente.

Nada surpreendente levando em consideração o preço do Porsche Panamera Turbo. Aliás, deveria ser de série alguns itens como teto solar panorâmico e bancos com massagem.

Porém, o aquecedor de bancos já foi suficiente para fazer a alegria de Nahas. Aliás, ele se deu bem por viajar no assento traseiro não só por conta do bom espaço para as pernas que os 2,16 m de entre-eixos conferem, mas por dispor de uma central multimídia exclusiva. Ela permite configurar climatização, sistema de som e TV digital por meio de uma tela sensível ao toque.

 Central multimídia tem tela de 12,3"
Legenda: Central multimídia tem tela de 12,3"
Crédito: Divulgação

Já a central frontal de 12,3” traz ainda os comandos de GPS nativo, customização de luzes internas, cronômetro, força G, entre outros recursos. Ela é compatível ainda com Android Auto e Apple CarPlay.

O melhor é que essas funções também podem ser exibidas no painel de instrumentos digital dividido em cinco mostradores, algo que é tradicional da Porsche. É possível personalizar tudo por meio de botões no volante com acabamento em couro. Inclusive, este tipo de material domina o acabamento interno do carro. Tem couro por tudo quanto é lado, mas há também elementos cromados, em preto brilhante e até madeira.

CAPRICHO É O DESTAQUE

Esse capricho foi considerado o ponto máximo do Panamera pelos nossos convidados. O requinte e cuidado com cada detalhe transformou um mero trajeto casa-trabalho em uma experiência única. Isso, sem contar o sistema de som 3D da Burmester que dispara 1.455 watts de potência por meio de 20 alto-falantes e um subwoofer ativo.

 Relógio analógico fica no centro do painel
Legenda: Relógio analógico fica no centro do painel
Crédito: Divulgação

“Guantanamera”, da banda Raíces de América, foi a escolhida para embalar nosso rolê. Fruto de um trocadilho infame de Lucas Barreiro, que relaciona o nome da canção ao do carro. Desculpe por isso.

Consideração mais válida feita pelo designer foi sobre o visual externo do Panamera. “Por dentro eu não tava acostumado, então chamou muita atenção. Mas eu gosto muito da traseira porque a lanterninha é agressiva”, elogiou Barreiro, que também curtiu as quatro saídas do escapamento esportivo, assim como o conjunto de rodas de 21 polegadas.

Eu concordo porque considero que é esta parte que traz identidade ao cupê. Mas Panamera bonito mesmo é a perua Sport Turismo. Aliás, aproveito minha experiência com o cupê para me candidatar a testar a station wagon de proporções sensuais. Deixe aí nos comentários um pedido para que a chefia também coloque essa belezura em minhas mãos (não custa nada tentar).

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